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Manual de Acondicionamento e Preservação das Amostras

Manual de Acondicionamento e Preservação das Amostras
 

 
Este Manual tem como principal finalidade dar a conhecer as normas internas do Centro de Patologia e Citologia para a correta colheita, acondicionamento e envio das amostras biológicas, enquadrando os procedimentos por nós praticados com as regras estabelecidas pelo Manual de Boas Práticas Laboratoriais em Anatomia Patológica.
 
A integridade morfológica celular é fundamental para um correto diagnóstico e só é preservada se forem respeitados os princípios adequados da fixação. Sem uma fixação adequada, as células sofrem autólise, o que irá dificultar ou impossibilitar o diagnóstico.

É por isso essencial que desde a colheita até à entrada no laboratório, sejam respeitados certos procedimentos pré-estabelecidos, para que o diagnóstico final possa ser realizado com precisão.
 
IDENTIFICAÇÃO E INFORMAÇÃO - Campo obrigatório

A correta identificação das amostras enviadas, bem como as informações anexas a estas, são de extrema importância para que se consiga dar uma resposta mais célere e um diagnóstico preciso. O preenchimento da requisição (Fig.1 Citologia) e (Fig.2 Anatomopatológico) deve ser o mais exaustivo possível.
Informações necessárias:

Figura 1 (Pedido de Citologia)
 
 

Figura 2 (Pedido Anatomopatológico)

 
  1. 1  EXAMES CITOLÓGICOS
 
Os exames citológicos enviados para o laboratório pertencem aos seguintes grupos:

 
O exame citológico cérvico-vaginal é um exame fundamental para o rastreio do câncer do colo do útero.
Atualmente os exames de citologia cérvico-vaginal podem ser realizados de forma convencional ou através de citologia em meio-líquido.
Em relação ao método de colheita utilizado, a citologia em meio liquido oferece uma maior acuidade diagnóstica, relativamente ao método convencional. Permite ainda a realização de outros tipos de exame, como os testes de biologia molecular (ex. testes de HPV)
É um método de fácil realização, não invasivo e econômico.
Permite detectar lesões percursoras do carcinoma do colo, sendo que o diagnóstico e tratamento precoce destas lesões tem permitido diminuir a incidência do carcinoma do colo nas mulheres.
 
Cuidados a ter antes e durante a colheita

Antes da colheita deve ter-se em consideração as seguintes situações:

•  Colheitas muito abrasivas podem originar sangramento e obscurecer a amostra, interferindo assim no processo técnico e na visualização microscópica;
•. Deve ser evitado o uso de ácido acético antes da colheita em pacientes que se preveja a execução de testes de biologia molecular, devido à possível degradação do ADN;
•  . Relativamente ao uso de lubrificantes, estes devem ser hidrossolúveis, utilizados apenas nos casos estritamente necessários e com moderação.
 
 
Procedimento a efetuar:

O material colhido pelos métodos tradicionais, ecto e endocervical com espátula de Ayres e escova própria e, em seguida é transferido para meio líquido conservador.

A partir da mesma colheita em meio líquido é possível, para além do exame citológico, realizar técnicas de biologia molecular, desde que haja células suficientes.

O frasco pode ser conservado à temperatura ambiente.
Cuidados pré colheita na mulher:
 

 
1.2 ANATOMIA PATOLÓGICA
 
 
 Amostra: A Amostra deverá ser fixada em Formol 10%, logo após a sua obtenção. O volume ideal de formol para tecido é de 10 volumes de formol para um volume de tecido.

Os frascos também devem ter o tamanho ideal para uma boa fixação. Sugere-se nas
biópsias endoscópicas, utilizar papel filtro (ou outro absorvente) para colocar a amostra dentro do frasco, garantindo assim a melhor orientação dos fragmentos para posterior preparo no laboratório. Entretanto, não se deve colocar amostras em papel filtro, com designações diferentes, no mesmo frasco, pois estas podem se descolar do papel e misturar-se, perdendo-se a designação. Exemplo: biópsias seriadas do intestino grosso.

É importante identificar o (s) frasco (s) com o nome e a idade do paciente e o nome do médico que está solicitando o exame, bem como o material que está sendo enviado.
Encaminhar ao laboratório assim que possível.

• Informações adicionais solicitadas: Se a peça representa mera biópsia ou excisão, e qual o diagnóstico pós-operatório. No caso de excisão de lesões malignas da pele, se for desejada a identificação de qualquer margem comprometida, pede-se que seja designada por um ponto de reparo anatômico (como, por exemplo, margem superior).

Muito importante: em caso de biópsia do osso é imprescindível que seja enviado, junto como o espécime,  as imagens correspondentes (Rx, Tomografia Computadorizada, Ressonância Magnética Nuclear e Cintilografia) disponível, para que seja feita correlação anátomo-radiológica, sem a qual está prejudicada a avaliação anátomo-patológica, principalmente em lesões tumorais do osso.

• Método: Depois de feita a descrição macroscópica, material representativo é processado, incluído em parafina e corado pela hematoxilina e eosina. Colorações especiais são solicitadas pelo patologista quando necessário.

• Amostras inadequadas: Fixação inadequada, geralmente devida a uma proporção insuficiente de formol em relação ao volume da amostra e falta de identificação do paciente e/ou do frasco.
 
 
 
 
O laboratório oferece serviço de exame per-operatório que, como o nome já diz, é realizado durante o período da cirurgia. O método mais usado para este tipo de exame é a congelação do espécime através de aparelho denominado micrótomo de congelação. No CPC é utilizado o Frigomat ( JUNG ). Este tipo de exame deve ser marcado com antecedência a fim de assegurar o ideal preparo do aparelho e ajuste de temperatura, bem como a disponibilidade de um patologista.

• Importante: A amostra de tecido deverá ser encaminhada diretamente ao patologista sem qualquer fixação, devidamente identificada e rotulada, com requisição médica correspondente solicitando o exame per-operatório, contendo dados clínicos adequados e orientações anatômicas, quando necessário, principalmente em se tratando de avaliação de margem ou órgão duplo.
 
 
Recomenda-se não usar gaze na captura da amostra para posterior transferência da amostra para o frasco, pois a gaze retém partes do endométrio. Isso é importante, principalmente após a menopausa, em que a quantidade de endométrio disponível é pequena. O mesmo se aplica à curetagem endocervical.
Pede-se incluir na requisição a idade, data da última menstruação e terapêutica hormonal.
• Método: Depois de feita a descrição macroscópica, material representativo é processado, incluído em parafina e corado pelo método de Hematoxilina e Eosina (H&E).
 
 
• Material: Embriões e fetos menores ( com peso inferior a 500g ) devem ser colocados em frascos ou sacos de plástico com formol. Fetos maiores deverão ser refrigerados até o transporte. Ambos devem estar acompanhados da placenta.
• Informações adicionais solicitadas: Dados clínicos da mãe (e do pai, quando for indicado para doenças genéticas), dados sobre a gestação e o parto.
• Método: Exame externo e interno, em busca de malformações congênicas e outras alterações patológicas, seguido de exame histopatológico.
 
 
• Material: O linfonodo deve ser bem fixado, porém sua cápsula retarda a penetração do formol, principalmente em espécimes maiores. Sugere-se que o linfonodo seja cortado ao meio em seu eixo transversal antes de ser colocado no formol.
Informações adicionais solicitadas: No caso de neoplasias linfóides ou mielóides, é útil ter um esfregaço de sangue e os dados de um hemograma recente.
• Método: Exame por coloração de hematoxilina e eosina (H&E), frequentemente com a suplementação de colorações histoquímicas e imuno-histoquímicas.
• Amostras inadequadas: Tecido mal fixado, demasiadamente fragmentado ou esmagado.
 
 
• Material: Biópsia de medula óssea para diagnóstico de patologia hematológica ou para estadiamento de câncer. Remeter em formol tamponado a 10%.
• Informações adicionais solicitadas: No caso de distúrbios hematológicos, pede-se um hemograma e esfregaço de sangue recente, bem como os esfregaços do mielograma para fins de correlação com o quadro histológico. No caso de estadiamento, se o diagnóstico primário não foi feito pelo CPC, solicitam-se as lâminas e/ou laudo de biópsia que estabeleceu o diagnóstico de neoplasia maligna para fins de correlação.
• Método: Descalcificação, coloração por hematoxilina e eosina (H&E) e, conforme indicado, colorações histoquímicas e imuno-histoquímicas.
• Amostras inadequadas: Osso sem componente medular, fixação inadequada, fragmentação excessiva.
 
 
• Material: Fragmentos excisionais ou incisionais, curetagens, biópsias por agulha e exéreses ósseas.
• Método: As biópsias ósseas necessitam procedimento de descalcificação. No CPC utilizamos o método químico ácido para a descalcificação.
• Informações adicionais solicitadas: A imagem radiológica das lesões ósseas corresponde ao exame macroscópico da lesão. Este exame é imprescindível para a correta interpretação do quadro histológico. Assim a solicitação do exame anátomo-patológico de lesão óssea deve estar acompanhada do respectivo estudo radiológico da lesão (raio X, Tomografia computadorizada, Ressonância Magnética e Cintilografia).
 
 
• Manejo do espécime: Espécime deve ser fixado em formol 10%, logo após a sua obtenção. Usar um saco de plástico ou vasilhame compatível ao tamanho da peça, o qual deverá ser devidamente vedado para evitar o vazamento de formol. O volume ideal de formol para tecido é de tres volumes de formol para um volume de tecido. Quando a peça for demasiado grande para se atingir uma proporção adequada de formol para tecido, deve se providenciar o transporte imediato da mesma para o laboratório a fim de minimizar sua autólise (apodrecimento). No caso de ressecções maiores, como mastectomias, segmentos de intestino, etc., se a peça não puder ser remetida ao laboratório dentro de até 2 horas, sugere-se guardá-la em geladeira até o momento do envio afim de retardar a autólise. É importante rotular o invólucro com nome e a idade do paciente e o nome do médico que está solicitando o exame, além das designações pertinentes às relações anatômicas quando aplicável, como por exemplo: mama e conteúdo axilar num frasco e níveis I, II e III em frascos diferentes e previamente designados como tal. Encaminhar o material ao laboratório assim que for possível.
• Informações adicionais solicitadas: No caso de dissecção de linfonodos, pede-se que as suas origens anatômicas, como os diversos níveis, sejam indicadas na requisição. No caso de excisão de lesões maligna da pele, é útil não só utilizar um ponto de referência anatômica por meio de uma sutura como, no caso de peças de configuração irregular, pode-se colocar a mesma em uma cartolina e fazer um desenho das estruturas próximas para melhor orientação do patologista ou descrever detalhadamente as relações anatômicas das margens cirúrgicas na requisição.
•. Muito importante: Em caso de peças cirúrgicas de segmento de osso ou lesões ósseas é imprescindível que seja enviado, junto com o espécime, a(s) imagens (raio X, Tomografia computadorizada, Ressonância Magnética Nuclear e Cintilografia) disponível, para que seja feita correlação anátomo-radiológica, sem a qual estar prejudicada a avaliação anátomo-patológica, principalmente em lesões tumorais do osso.
• Método: Depois de feita a descrição macroscópica, material representativo é processado, incluindo em parafina e corado pelo método de hematoxilina e eosina (H&E).
• Amostras inadequadas: Fixação insuficiente, geralmente devida a uma proporção insuficiente de formol em relação ao volume da amostra, frascos pequenos para o tamanho da amostra e falta de rótulo com identificação do paciente.
 
 
• Material: A biópsia deverá ser fixada em solução de Bouin para destacar melhor a cromatina das células espermática e deve ser encaminhado imediatamente ao laboratório. Obs.: Caso permaneça mais de 4 horas na solução o material torna-se inviável para corte e análise, prejudicando o diagnóstico e consequentemente o paciente deve ser submetido à nova biópsia.
• Informações adicionais solicitadas: Idade, condições endócrinas, inclusive terapêutica hormonal.
• Método: Coloração pela hematoxilina e eosina (H&E) suplementada, quando indicado, por colorações especiais.
• Amostras inadequadas: Tecidos que não inclui túbulos seminíferos, esmagamento do tecido, fixação inadequada.
 
 
Esta técnica pode ser usada para pesquisar a provável histogênese de tumores malignos indiferenciados ou metastáticos, quando técnicas convencionais deixam dúvidas; para determinar o nível de receptores hormonais em carcinomas de mama; para detectar agentes etiológicos, como alguns tipos específicos de vírus, entre outras. Como são necessários estudos específicos e conhecimento dos anticorpos a serem usados, em geral o patologista é que determina sua necessidade e utilização. Normalmente, estes casos são previamente discutidos com o clínico e sua indicação é específica.
• Material: Embora, na maioria das vezes, a imunoistoquímica se aplica a biópsias, ela também pode ser aplicada a material citológico. Para algumas técnicas é necessário utilizar tecido congelado, para outras, tecido fixado em formol é adequado. Favor entrar em contato com o laboratório para detalhes sobre o tipo de material e sua preservação.
• Método: A técnica consiste no uso de anticorpos geralmente monoclonais, com alta especificidade para certos antígenos encontrados nos tecidos. Frequentemente, utiliza-se um sistema contendo imunoperoxidase.
 

Endereço

Praça do Seminário, nº 229 - Cuiabá-MT

(65) 3624-4452, 3623-5959 ou 3623-5875 (Matriz)
(65) 3624-5754, 3051-3150 (Unidade Jardim Cuiabá)

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